Cinderela sem Sapatos...


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Filo de sonhadores...



Flutuo no piscar dos sonhos
Que o vento sopra e leva
Que volta e brilha sem sessar
Que levanta a areia e seus cristais
Que monta castelos que desabam
Na bruma molhada e ingênua...
Sorrio e corro fazendo poças na praia
Aluvião de conchas e segredos
Salpicam a beira-mar dos meus pés:
Que margeiam ao léu
Que pisam em devaneios
Que cegos deslizam nas ondas!
Ou seria o sol que me flutua?
Enquanto decido, fluo no tabaco-de-caco
Cato o pó que sobrou na memoria
Construo um novo castelo
E divido-o com você!
Mas, não me deixas escapar um sonho!
Ou de seguir o amor sem nele se perder
Ou obedecer a ele, sem nele se encerrar...


Imagem cortersia Google

 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Van Gogh foi feliz quando menino...



Olhos românticos, lábios finos  esboçam
leveza e cor. Semblante afina-se ao
pássaro engaiolado pelo seu amor.
Voam juntos entre pinceladas de céu azul.
Cabelos de fogo avassalados pelo vento
despertam sua genialidade.
Menino Feliz!




                                           VAN GOGH FOI FELIZ QUANDO MENINO - Rogerio Fernandes

Formato:23×31cm
Técnica: aquarela
Superfície: Lana 300g

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Despedida...


Me solta às algemas, envergonha-me.
Grito a liberdade quase cruel,
um ébrio rebelde!

Idiotices humanas, apenas minhas...

Perdoa-me vida insensata,
que vivo por demais.
Dá-me de volta a proposta
que o egoísmo rouba-me.

Ria-me fantasmas
com suas capas negras,
com seus sorrisos sínicos.
Enche-me a taça...

Gula insídia, secura de afeto,
e pálpebras oscilantes.
Cansaço de cantorias vazias...
Idiotices humanizam nosso
orgulho ferido.

Rio- me nas aguas profundas,
afogo-me em sonhos urbanos;
espero nunca mais recordar...
Tenho que voltar pra casa!


* Imagem, cortesia Gogogle

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Somos amigos...



Quando falamos de coisas banais
E de coisas importantes
Quando a felicidade de cada um comove o outro
E a tristeza é compartilhada
...
Os erros aceitos e apontados
As duvidas divididas sem receios
Os sonhos incentivados
As perdas encontradas pelo sorriso
A cumplicidade é respeitada
A casa é aberta no meio da noite
Para as baladas
E para as horas difíceis
Quando o coração é partido
E nos damos razão
E bebemos para nos justificar
E chamamos um taxi quando bebemos demais
E nossos filhos ou não crescem juntos
Quando ricos ou menos ricos ou totalmente duros
Rimos juntos e nos ajudamos
Quando sorrimos felizes ou não nas fotos
E falamos o que pensamos sem medo de magoar
E quando nos magoamos nos perdoamos
Quando mudamos de rua, cidade, estado ou país
E continuamos juntos...
E sentimos saudade
E pegamos o telefone para dizer:
Oi amigo, está precisando de mim?

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Deixe algum sinal de alegria onde passar.(Chico Xavier)


Seja um olhar
Seja um sorriso
Seja um pensamento
Volte sempre e traga seu abraço
Aquele apertado que tira o fôlego
Senta-se aqui e beba meu café forte
Beija-me com muita cafeína
Conta-me todas as suas historias
Nunca me canso da sua alegria
Nunca desisto da sua tristeza
Cantare, volare, vivere!
Tira-me pra dançar
O Jukebox nos espera
Quero Elvis Presley...
Ou Bee Gees...
Apenas, quero dançar
Quero ir para lugares distantes
E continuar aqui... Tirar o chapéu...
E fazer continência a vida!


*Imagem cortesia de Mudd Design Artesanal

terça-feira, 10 de julho de 2012

Duvidas

pequenas agulhas que espetam
como fractais de ilusão
aos olhos, a carne sente
pontiagudo frio sobe desfalecendo
os sentidos
mãos se arriscam e tremem
envergonhadas sem fé
o cérebro inibe a razão
e o coração finge-se calmo
e bate e soa incessável
a musica toca dentro d’alma
assim meus órgãos desafinados
perdem a melodia... por horas incertas
que passam lentamente
e na poesia emudeço
esperando o efeito da cor voltar...
sem coragem ... escrevo!

Folha na praia


despeja suas energias na areia
cansada suplica o chão
entre caracóis e algas 
e purificada de dor
nada entre ondas salinas
entre encontros e desencontros
bate na pedra escorregadia
com o vai e vem da correnteza
mergulha sem fôlego,
submerge cristalina
quase morta...
folha esquecida no fundo do mar
sem força, ainda molhada,
finalmente descansa!




*Photo by Alycia Bromar

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Anjo urbano...

Pelos cafés e esquinas
Aguarda-me
Como a poeira da cidade
...
Por todas as partes
Cobre-me
Na solidão da noite
Rege-me
No bar dos ébrios
No caminhar solitário
Nas malícias da vida
Está-me presente
Quando estou pela beiça
Tal por ignorância...
Tal por cegueira...
Aguça-me os sentidos
Leva-me pra casa
Levanta-me dos pesadelos
Abre-me o sol do dia
Fecha-me as portas
Na noite escura e fria
Peregrinas ao meu lado
Dorme nos meus quatro cantos
És a luz que me rodeia...

*Imagem Google

terça-feira, 3 de julho de 2012

o amanhecer





acolhe-nos
com a névoa fria
e a brisa cantante
...
da aurora

ontem, dormimos
sonhos
hoje, respiramos
esperanças

bem haja o dia
que nos (es)colhe
com o beijo do orvalho

no hálito fresco
o acordar é são
a vida rebrilha e
a alma renasce

bem haja o dia
que nos acolhe,
escolhe nos
e colhe nossos sonhos...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

olho-d'água



estou
acordada
cresci, sem enganos
...
estou

a musica não ilude
mais
o ouvir da arte,
que é a voz da paz

o coração bate
forte
nas alegrias e
aconchega as tristezas

o beijo adormece
os lábios
o olhos não incham
desencontros

o caminho é livre
a escolha é certa
a musica encanta
a poesia cura...

a alma é uma janela
o coração uma fonte
o amor é a luz...


que pela janela entra,
renasce o coração
e na sabedoria, se eterniza...



Imagem, cortesia Berussa
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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A Mitologia do Jurupari



Na ingenuidade dos gênios
sopra-se o medo, pinta-se a cara
Demônios dos sonhos!
iu-ru-pari ao macaco-de-cheiro,
peixes e igarapés.


Espíritos Guaranis!
Doçura selvagem de Ceuci,
índia fértil do uacú, mãe de Jurupari:


Enviado do Sol, legislador 
das leis e costumes.
Aquele que não se cala e
repudia a amalgama de lendas
das amas-de-leite africanas...


Jurupari herói, de suas cinzas
nasce a palmeira de paxiúba.
Do seu pai uacú, nasce a
simiômi’i-põrero- a flauta


Encanto das árvores e animais,
Tucanos e Tarianasis
coexistem na mata , descem
os Rios Negro e Uaupés...


Homens indígenas iniciados
por cultos secretos e ritos
fascinados pelo yagé (caapi)
 e o paricá.


Os ilusógenos os tornam
em caboclos medonhos da boca torta
que vivem rindo na mata,
possuidores de poderes divinos...


E nos sonhos indígenas: o Jurupari pernoita seus pesadelos!



quarta-feira, 27 de junho de 2012

A foto

a moldura o aprisiona
hostilmente

suas mãos sobrepostas
descansam desconforto

seu olhar úmido
faúlha lagrimas
quadradas

seus lábios apertados,
suplicam perdão

as paredes emudecem
junto a mim

nesse retrato, a vida
pulsou um dia
hoje, o remorso

no escuro do quarto,
sua lembrança
vagueia

na ausência, adormeço
sem sonhos...emoldurados.

sábado, 23 de junho de 2012

`a dois...

enrolo-me na musica
fitas coloridas
nó de amor...

saltito como criança
compassos...levam-me
pra lá e pra cá

...
enrolo-me na roda
saia rodada
enfeita o salão

dança de pares
me deixo ir...
pra onde me levas

enrolo-me nas luzes
rodopio cores
nó de paixão...

perco-me
nos teus braços
danço
folio
desnudo ilusões...



imagem cortesia Google

domingo, 17 de junho de 2012

O ciúme



um apegamento íman,
aferra-se `a alma
como um óxido natural de atração...
 
fuligem que se evola,
esfumaça a vida,
ignora a sensatez...

coexiste no capricho
lança fagulhas no amor,
dardeja a discórdia...

magnético a paixão doída
queima como ferro na brasa,
apoio que atenha a ruína

ou tentação súbita do afeto?


*Imagem- Breaking the Vicious Cilcle by Remedios Varo - Mexico

Soneto do amor eterno


Foi o mais intenso da minha vida,
O meu maior tormento... Vívido!
Iluminou meu céu na subida
Desci ao inferno iludido...

Partiu, e o meu sofrer não te esquece
Deixou-me o mais amargo castigo
Que é ter saudades de estar contigo
Deixou-me os pensamentos e a prece...

Oriundo da Hungria... Bela fantasia
Ópera lírica, sonhos e magia
Minha carência, tua heresia...

Sinto teu ardor, e ainda suspiro
Amor divino! Recordo-o orando
Levou-me a flor... Deixou-me chorando.


 
*imagem cortesia de Alessandra Ortiz

sábado, 16 de junho de 2012

Querela da pergunta e da resposta...


A pergunta espera
a resposta que suposta
responde sem espera.
A resposta não suposta,
não responde e nem espera
a pergunta que a espera.
A pergunta pressuposta
interroga a resposta-
se de véspera é suposta
a resposta é  disposta. 
A pergunta não suposta
é de véspera sem resposta.
A pergunta quer riposta
pra revidar a resposta.
A resposta quer riposta
se a pergunta é pressuposta.
Se a pergunta for reposta,
se responde predisposta;
sem querer uma resposta,
sendo essa pressuposta.
Confundimos a pergunta,
perguntássemos com proposta,
pois ficamos sem resposta
e sem pergunta suposta...



*Imagem cortesia do Google

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Beijo de Alfazema...




A moça debruça na janela...
 Ruge na face e olhos canela
Arrebita o nariz e suspira alfazema

Tira o avental sujo de gema
Solta os cabelos e se faz mais bela
O rapaz se aproxima e sorrir para ela

Com ar de cortejo estica- lhe a goela
Pergunta-lhe o nome
Ela responde: - sou Manoela

Ele replica: - sou Manoel
Tu és a mais bela donzela!
Caístes dos céus?

Não sou rico nem pobre, Manoela
Dar-te-ei o mais puro anel...
Deixas me beijar teus lábios de mel?

Manoela arrebita o nariz e fecha a janela
Nem céus, nem bela, ou puro anel
Não se goela um beijo `a uma donzela
Pela janela!

 
*Imagem cortesia Google

Nosso romance existe:


sem luar ou

lagos que brilham
ou estrelas e constelações
ou pingos de chuva prateados
ou champanhe `a lareira
ou brumas ou brisas na praia...
E  é  romântico quando
amanheço ao seu lado...e tenho
seu carinho generoso
sua voz acolhedora
seu calor e afago
nossas conversas
cheias de estimulo
nossos banhos
cheios de espuma e alegria
nosso café forte na cama
todos os beijos trocados
todo o amor amado
todas as brigas brigadas
que trazem o que de melhor existe
no mundo: nossa cumplicidade!



*Imagem cortesia Google

fleur...





seeds and sprinklers
blooms in the ray
pink is for the spring
and the wedding day
gold is for the rings
and love always...
yellow is for the summer
and green needs the rain
cup-cake is sweet
and you always
marry me today?


*Imagem cortesia de Nano Hu 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012


luarento

ando no frescor da noite
no escuro aquieto o coração
ouço uma coruja no leito
toco seus pios no violão


luz que vem d'um buraco no céu
forma uma sombra em véu
não é minha e nem pia
mas mia na noite fria


ou é gata ou é coruja
mia ou  pia a dita-cuja
dedilho-as sem lampião
pernoitando uma canção


uma estrela vem rajada
a sombra perde o véu
a coruja sai lufada
e o gato sai ao léu


 a noite fria toca o solo
sigo arrastando o chão
sem lua cheia e tolo
volto  sem  inspiração


*IMAGEM CORTESIA GOOGLE

Achar a luz...





Deixar a vaidade cair e despir-se dos orgulhos,
que são hastes de ferro enferrujadas pelo tempo e
calejadas como as rugas da dor.
Buscar a verdade como se levanta uma haste de ouro!
Que somente os loucos pela verdade os fazem:
deixando a sombra do medo dissipar-se,
olhando a vida pelo espelho da alma.
Encararando o mundo de frente
com a sobriedade dos grandes deuses:
ser um deles, apenas pequeno.
Achar a luz no topo da montanha;
essa montanha que foi teu caminho
de garra, perseverança, e aprendizado.
Perdoar os erros sendo generoso
por ti mesmo, por tua tristeza,
pela tua mãe, pelo teu irmão, pelo teu pai.
Sentir a dor da critica sem ter ódio.
Voltar para casa humilde...
Amar tua mulher com paixão,
amar teu dinheiro com caridade,
amar teu amigo como irmão,
amar teu irmão como amigo.
 Voltar para casa em paz...
Ser você, somente você e
renascer todos os dias...
Feliz Ano Novo!
1/1/2012

 
*Imagem cortesia de Charles Manning III
  Revisado 13/6/2012

Flor de Sal II



Essência que habita em mim
No sol, você brilha
Na chuva, você floreja
Na noite, bebo seu entardecer
Na manhã, bebo seu brotar
Nas pétalas, você me acaricia
No sal do orvalho, choro sua ausência
Sua leveza dança na bruma
Seu perfume transparente exala
Seus passos de pétala!
Flor de sal, doce amor!
Cresce no meu jardim...
Enfeita meu quarto... Sapatilha sua paz
Na areia salina do meu viver!
* Imagem cortesia de Nano Hu, 2012

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ultimo beijo...


ficou o gosto do sal
a magia, na bruma do mar se quebrou

o calor transformou-se em musica
que ainda toca na memória;
memória, que a poesia ocultou

ficou o batom na gola da camisa
que secou as emoções ;
as emoções dos últimos
bancos, veias e esperas...que a água lavou

ficou o som da caricia dos lábios
que roçam na chuva;
lábios que choram lágrimas
de saudade


beijo que jamais se foi;
aquele que não me beija mais


Eu na poesia...


Escrevo `as acabrunhas

Que me acordam na noite
Escrevo `a madrugada
Que me falta o amor
Escrevo `as minhas dores
Que não vivo sem zelos
Escrevo ao medo
Que me traz a morte
Escrevo `as minhas lágrimas
Que me fazem chorar
Escrevo a Deus
Que me traz brandura
Escrevo ao sol
Que me traz calor
Escrevo `a lua
Que me deslumbra
Escrevo `a minha Pena
Que me traz inspiração
Escrevo `a poesia
Que me traz a paz
Escrevo `a minha paz
Onde me encontro



domingo, 10 de junho de 2012

Rosa vermelha

esse momento é só meu...
quando me entrego e me torno uma flor
que delicadamente desabrocha
despida de espinhos, sou prazer
cada parte da minha pele é pétala
sinto a seda da sedução que me toma
largo-me aos carinhos que me invadem
curvo-me de arrepios e doçura
cada gota do meu suor molha-me como o orvalho
apaixonado pela madrugada
cada fantasia que pelo meu corpo desliza
faz de mim uma rosa no mais belo jardim
esse encontro é só meu...
sou brisa silenciosamente gentil e pura
fecho os olhos e sinto todos os delírios
que aqui me permito...nesse canteiro de amor...
...me entrego




quinta-feira, 7 de junho de 2012

Veia da roça...

Duas Roceiras- By Georgina Albuquerque

saia de chita rodada,
pele jambo, olhos de mel
solta na mata, (a) virgem
do céu...

ou flor trepadeira sem eira nem beira
que  dá no pasço e beira a ribeira
aperta o passo, pula o aguapé
dói...dói...dói...cadê a fé ?

ai... ai... ai... grita a prenha!                       
ai... ai... ai... chama a parteira!
ai... ai... ai... põe fogo na lenha!

ateia o tacho de água quente
amorna o ventre, trava os dentes
cadê o marido?
o miúdo é parido

cucurica o galo, ladra o cão
sem pai, sem cueiros
berra o pagão!

ai... ai.. .ai... caboclinho roliço!
tem mãe de leite e amor de mãe
cresce no roço
e no arroz com feijão

rapaz forte e bonito, puxou a mãe
tem casa e lavoura, não é ladrão
tem veia da roça
e força na mão!

solto na mata  virgem
Maria!
lá vem o Peão...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Beijo que fica:


um vento que passa roçando...
atrelando sorriso
uma agulha fina que toca o vinil
da vida arranhada...
é calma que aguilhoa a alma
...a sussurrar incitada
é ateio de mil desejos
...tímidos, tolhidos...
é carícia que passa sofrenado...
...os seios tremidos de prazer
é  dor que não dói...beijando
é pauta musical que passa cantando...
alinhando a decepção
é “gramo-fônico”, frenético
é a voz da... minha paixão...