Cinderela sem Sapatos...


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Alma


Imagem Espinho do blog coisas de mim

Incontida...
dor fecundada da angustia
que sucumbe a paz
ar seco , rouca fala
no cativo infinito
da vida...

grito canino, proibido
de cão danado
amordaçado
sabor de cactos
aprisionado

apetece sem vitória
o medo da cobiça
no fundo da alma
cão não tem alma...
mas sente a dor dos espinhos

do cactos, da unha no peito
encarnada com apetite
de ferir...
de tirar o auguro
que ainda resta...








Ledice na Nuvem

No seu colo adormeço misteriosamente
Envolvo-me nas suas formas desenfronhadas
No meu sonho tento fazer sentido, mas flutuo
De um ar ao outro, nessa altura imensa!
Vejo-me nos seus bancos vazios, mas perfeitos
Nem medo de cair tenho; envolvo-me por inteira
Como uma ave fulgurada, acredito voar
Nuvem, tu me amparas nesse devaneio
Nua nuvem, despida no seu colo adormeço
Grinalda enfumaçada, branca luz irradiada
Durmo cega e quieta na minha ilusão
Nem o calor do sol me aquece
Nem as gotas d’agua me molham
Nem o sopro dos ventos ouço
Nem o olhar da lua me inibe
Numa quimera de jovialidade durmo
Nem mais quero descer do seu colo
Quero nesse colo, dormir eternamente.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Espelho quebrado



Mulher no Espelho- Pablo Picasso 1932
Efígie reflete sobre a luz fosca do quarto de parades migalhadas
Estilhaços[seus] eclodem
...assim como o medo
 à alma gelada
Olhos apertados, peito ofegante
...assim como a paixão
`a razão
Mãos úmidas, trêmulas, boca seca
...assim como a angustia
`a serenidade
Corpo em chamas, prazer infindo
... assim como o amor
`a alucinação
Na psicose dessa ilusão
você me aborda 
...assim como a loucura
Eu me rendo
`a aprisionar-me pela frigidez...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A Noiva...

                          
                              Densa e leve  arrasta seu véu                
 Com a expectativa do sonho
 Que ainda não foi realizado
 Alegre sim, dizem!
 Sentimentos atormentam-a...
 Densa e leve arrasta seu véu
 A caminhada é longa, o véu pesado...
              Como cheguei aqui, pergunta-se?             
 Amei muito até chegar aqui
 Não amo mais, pergunta-se?
 Densa e leve arrasta seu véu
 Estou feliz, pergunta-se?
 Fugir não, pensam!
 Olhando a porta, desfila...
 Imaginando a fuga, ainda menina
 Que hoje se torna  mulher...
 Contemplando, continua
 A fuga fraca rendada de medo...
 As flores assustam!
 Não me sinto como elas
 Frescas e belas, pensa
 Sinto-me mórbida, febril
 Indecisa, o véu pesa cansado
 Chega ao altar dourado do fim
 Sim aceito... Diz
 Covarde é, morrer me resta!

Maciezas da vida



 
Calor insinuante[que]
  Sua língua delicadamente produz
  Arrepiada de branduras
  Entrego-me totalmente a você
  Perdida de paixão, tesa, louca
  Deixo de existir!
  Brado...
  Sinto você crescer dentro de mim
  Seu beijo me rouba a realidade
  Sua força me comanda e domina
  Sou apenas uma mulher amada,
  Descabelada, pronunciada, sua
  Corpo que deliria, palavras improprias,
  Apropriadas agora, ouço-as 
  Você me faz toar
  Você me busca, gozo
  Eu sinto muito...
  Muito, seu gosto, seu prazer...
  Eu sinto muito!
  Preciso voltar pra casa, amor!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Homem Paulo Pereira


P ensamentos tímidos, sensíveis na sua
A nalogia de uma vida angolana harmonizada,
Ú nica, metrificada, musical,
L ongínqua, latente, lusa.
O nipresente no coração de uma mulher...

P ersistente, pertinaz, quase puro...
E xplica-se entrelinha para discernir o amor.
R elutante, voa com asas gaivoteais,
E sperando o porto, o pouso?
I rradia todos os momentos com
R espeito e carinho,
A nalisando, sopesando suas palavras...
                                                                No meu mundo!


( Querido amigo, assim te vejo )

terça-feira, 17 de abril de 2012

Orvalho

Minou na noite fria,quase acolhedora.
Tocou a escuridão das folhas,cálidas  pétalas.
 Ardente, purificou o ocaso
 com suas gotas trêmulas,
frias, sonolentas, mudas,
sedutoras!
Divino véu, ostente meus sonhos.
Iludidos como a geada no crepúsculo,
derretem-se e acordo destemida
para o pertinaz dia .

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Longa noite de outono...


Photo by Clara Piquet- Brumadinho- MG 2012



Lagrimas que não chorei, mas senti,anegadas com folego de paciência .
Quizila incoerente que invade sem permissão minha existência tímida, de rara importância.
A manhã nublada, desejada  despertou a raridade!
Acordar, sentir o chão, sentir o coração bater pela vida,essa, sensível por demais, mas única , minha.
Prefiro assim! O dia chegando à janela espantando a mazela da noite que se diz fria, mas suada pelos calafrios das incertezas.
A cor terracota do céu “madrigal” soou a solidão poética...  
Abri a janela azul, clamei mais um dia insistentemente !





segunda-feira, 9 de abril de 2012

Devaneo

    Perde-se aos ventos da realidade

Torna-se lucidez nas nuvens

Cego à ansiedade

Cego à alma

Fidedigno ao coração

Apócrifo à vontade

Onde fostes, amor meu?

Que nunca fostes meu

Que nunca me beijaste...

Nem deitastes comigo

Nem perdestes teu amor

No meu ventre, mas...

Achastes minha alma

Na distância da vida

Penetrastes alento em mim

Abafastes o lamento soçobrado... E

Fizestes-me sã!

 

Image by Ankara Universitesi Doga

terça-feira, 13 de março de 2012

Outono escondido

Ilha Bela
A cada dia cai uma folha
Em silencio toca o chão
Enganando o calor do verão
Primeiro, acena ao vento lento
Soando dentro d' alma
De quem a acolhe no olhar
Olhar de outono,
Ainda vazio...
Ainda longínquo...
Folhas perecidas, molhadas
Caem perdidas
Dentro de mim se abrigam
Aromatizando a dor do outono frio
Soltas dos galhos vencidos e secos
Arborizaram  a esperança dos romanescos
Crenças, belezas, cores e flores...
Tudo aquilo que amo sentir

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Apaga-o


 Ego escuro e pontiagudo
Espeta a ingenuidade que
Desarmada chora
Num labirinto estreito,
Sufoco expiatório

Insanidade ilógica
Dês ao vento
Que fenece em agonia

Calas sem razão, sem luz
Olhas adentro seca
Desmunida, surtada

Na geleira da angustia
Por não lembrar
Por não presenciar
O momento prolixo
Da insônia maléfica

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Saudade


Photo Michael Warner 2012

que bate de levinho
dentro do coração
cada gesto
cada olhar
cada cheiro


Meu bem querer
sua caricia
sua voz
seu beijo
sinto


Estranho sentir saudade
quando você já se foi a tanto
o ar ainda perdura no quarto
das suas roupas que ficaram
no armário calado

Como se cada manhã
fosse nossa
cada ruído
cada suspiro
existisse, ainda


Como o silencio
a saudade é
quieta, inerte
é presente
assim como você...






Sedução Natureza



 Perfume doce
Que me tonteia
Do corpo sereia
Na onda do mar

Bela rosácea
De pele pelada
Da seda esgaça
Livre a voar

Mulher sedução
De corpo e alma
Relevo e praia
Tu és tentação

Areia e serpente
Rasteja no quente
Do sol descendente
Tu és ilusão

Aroma da noite
De luar flutuante
Teu sexo venera
Meu gosto de amar

Saliva e língua
Saciam a ânsia
Na busca efêmera
Do teu olhar

Seguro seu corpo
No leito culposo
Do gosto gostoso
De te penetrar

Galhos fortes
De tronco robusto
Seu peito, seu busto
Só quero tocar

Mulher natureza
De corpo e beleza
De alma e pureza
Tu és sedução. 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Carta de poeta

Percorro linhas torcidas
que escrevo
pela vida que perambulo
que só eu vejo e escuto


Existo em fases
d’um segredo morto
impuro feito de chagas
estéreis


Da pimenteira sai baga
seca que não quero
Da boca sai gusa
picante


Do pergaminho sai dor
marcada
Do peito o som
da partida


Enfim sobejou poesia
nada mais me carece
sê eterno
sê candura




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Vão da alma

colchão no chão
corpo cansado no flat
depois do trem
depois do dia
correndo sem parar
quarto espremido
dedo dormido
frio e neve
sorrindo e fingindo
frigido
desalmado amado
ferido sem dor
veste a coragem
cumpre o labor
matina na fila
bebe o café
caminha baixinho
na ponta do pé
abre a porta
sem som
sem sorrisos
sem bom dia
o peso da garra
escolha seria
se fosse mentira
noite cala na hora
volta pra casa
casa ,não lar
suspira ao chegar
sapatos pro canto
roupa no chão
pega no livro
nada em vão
luta da vida
sem ter razão
sinto saudades
da musica, da cama
das tuas mãos...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Goodnight my love



The moon has promised
to bring us together tonight
Just wait for me, my love
Under the silent blue night,
the stars watch us
heavenly above
The moon said you’re mine
I believe it in a trice,
then happy, I feel
the aura shining through
Drops of fog smokes in
heavens… where you live
inside of me like
eons of you, over and over
again…
It's only a dream !









sábado, 14 de janeiro de 2012

Perpétua-roxa



morte, como a pedra
se calcina ao tempo,
se calcifica na eternidade
materializada e mórbida dá
cristais de beleza infindável
ou áspera lia
morte e pedras, dois cascalhos
filhos da terra viva que perece
sem testemunhos, fenece
deixando olhares confusos,
aguados , temidos, tristes,
empoeirados na dor acinzentada
da lembrança que resta
fria mão inerte,
peito emudecido,
pedra fria pesada,
lábios secos,
roxeados sem pecado,
sem vida,
sem palavra,
amor que virou pedra,
rocha além-túmulo,
desconheço teu espetáculo...




miss_you_by_gutku