Cinderela sem Sapatos...


sábado, 7 de janeiro de 2012

Quando o coração bate forte

Nunca existi espaço entre nós dois
apenas o olhar é capaz de dizer
todas as palavras
que tenho a dizer
sem questionamentos
cheia de medos
te sigo
na antecipação da felicidade
te busco
assim como antes,

ainda, te quero
de pés no chão
de coração solto
te desejo
completamente despreendida
sem marras, nem amarras
só meu amor
mesmo eu, não
o decifro
o explico
mas sinto...

ingenuidade essa
a loucura que é vestir
 a camisa branca  do teu amor

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Chuva de Janeiro


que molha sem doer
meus seios translúcidos
tocam teu peito
que bate apertado

corro sem ritmo
sinto a água
me entrego nos teus braços

soluço sem choro
apenas de amor
que a chuva traz
que você faz

tua voz rouca
molha meus lábios
apenas danço

deixando teu corpo
me levar
na correnteza forte
do teu desejo de Janeiro

me perco na tua
oscilação
que a janela reflete
me desnorteando

















O céu longe de Qa Al Luz





Estruturas rococós entrelaçam meus sonhos
nesse enorme céu Sintra.
Onde vinte quatro estrelas renasceram,
enfeitando as Amendoeiras dos teus olhos.
Palato luzido de Versalhes !
Este céu que cobre teu viver,
tua essência,
teu ser,
jardins, matas e
colunas Toscanas
que te envolvem.
Amantes ferozes
que fizeram historia,
que chegaram aqui
trazendo a fuga e reinos
da língua portuguesa e
seus castelos.

Céu longe que vence a ausência,
que vence o mar,
mas nunca vence a lua,
o luar.
Quero teu sorriso...
Mostra-me onde estás?
Quero conhecer o peso
do teu caminho...
Quero fugir pro Castelo dos Mouras,
quero te abraçar na madrugada,
sentar ao teu lado
nos bancos de Queluz.
Andar no Bairro do Chinelo...
Acordar no Cabo da Roca
e admirar o azul do teu céu .


(dedico a um amigo distante)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A chuva cai

Criando berços alagados
Suplico ao sol que volte
Para aquecer o vale
Onde corremos livres
Só com sentimentos
Sem pés
Sem vão
Sem roupas
Onde somos cumplices
Na campina dourada
Perdidos e sem rumo
Cansados ao calor do sol
Descansamos a alma
E por dias a chuva cai
Secando nosso desejo
Suplico consolo
Suaviza nosso corpo
Deixa o sol voltar e
Secar a campina
Nosso leito...
Molhado de angustia
Suplico ao sol que volte
Antes de morrermos de
amor na chuva...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Gotas de carta na chuva


(Para ti Paulo sem empirismo)

Caem tocando o chão da minha alma
Sinto o bater do pingo fundo
Com doçura e pertinácia
Às vezes sinto o chorar
Das lagrimas da chuva
Outras... Sinto o som me penetrar
Com cadência e amor
A lua se diz escusada da noite
Mas vou senti-la tímida
Só por algumas nuvens
Derramando suas gotas
Na minha vida
Na nossa vida
E comtemplando suas palavras
Espero sua carta
Harmoniosa, contando
Da sua chuva
Das suas lagrimas
Da sua lisura
Espero ansiosa...
Escutando o bater da chuva no chão
Da minha alma
Onde você passou a existir
Sem que me desse conta
Do molhar...
Do seu gostar...
Descansa meu amor!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Muna Xeia

( Para você, Paulo)

Brilha prata luzida
Enquanto o sol dorme
Traga no silencio da noite
Sua beleza de mulher insinuante
Traga sonhos
Sem quizilas
Sem medos
Entra, surpreenda-me
Traga orações e poesias
As horas passam
O sol ainda dorme...
E seu fulgor invade
Aliviando meu amor
Que espera hiante
Noite azul
Balancê, achego
Volte sempre “xeia”
De amor, Muna!










sábado, 24 de dezembro de 2011

O Natal que guardei

Desejaria embrulhar o amor expressado
No Natal e No Ano Novo,
Colocar numa caixa dourada com um laço vermelho aveludado,
Guardar em cima da estante...
E todos os anos me presentear com ela.

Desejaria guardar todos as musicas e poemas
Dessa época de festas e alegrias,
Amarrá-los com fitas carmim, apreciá-los o ano inteiro
E no dia de Natal presentear o mundo com sons e palavras
De amor, conforto e amizade...

Desejaria que as luzes que enfeitam as casas e cidades
Enfeitem nossos corações com calor e harmonia
Desejaria que cada sorriso dividido nessa época
Seja presente em nossas vidas todos os dias...


É Natal, meu amor,
Vamos brindar a vida...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Culto ao Sol de Tebas

Cantos adoram sua majestade iluminada
Navegando pela noite abre os caminhos
Escuros de um Deus antigo


Amon-Rá gritam vozes ocultas
Deus do sol
Sigilo rugido dentro do coração
Mitos com berros escondido
De fé indubitável
Olhos baixos em louvor
Deus maior
Arruínam-se, os hicsos
Tebas poderosa por ti
Domina o Egito
Chegando a Grécia
Até Roma te sucedem
Ísis e Osíris
Zeus e Júpiter
Teu culto se finda
Mas sempre Deus do sol de Tebas

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Cálice de vinho






Cálice seco e doce na noite
Meu gosto por ti espera ansioso
Na sede constante da vontade
De mergulhar no seu corpo

Encorpado, grosso e autêntico
Vindo da costa distante e fértil
À minha mesa farta de prantos


Vinho robusto se mostra potente
Invade-me com goles generosos
Sinto seu calor cativante na noite
Cá dentro trazendo o frio do dia
Com sua força frutífera passageira
Embriago-me no seu leito iludido
De conforto, de amparo, de alegria



Galante admirado e presente
Nos salões de prosa e cortesia
Revelando sua linda postura
Que fere e corta a muitos
No sulfito do desejo intolerável
Das almas aflitas e puras que
Idolatram-te no afago da boemia


Quiçá claro e alvejado, porém
Não desvanecido, mas selecto e
Escopo na sua tentativa cândida
De saciar o gosto perdido do infame
Adormecido pelo sabor infundido
 Seja doce adocicado ou seco buquê
Perfumado de cristal amarelado


Rose fosco avermelhado agrada
As damas e amadas por delicadeza
Saboreiam com classe e reverencia
Sem enganar os maduros que no
Degusto abusivo se entorpecem
Da cor rose fosco do vinho puro
 que não perdoa os fracos...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Beijo de Mel...

                                                     
Teu  beijo de  mel  meloso,  melódico, colado e  sedutor
Por ele me  entrego  no vício da  alma  calada no desejo
Que é te beijar...

Lábios de néctar  extraídos da  flora  secreta que se  liberta
Da colônia desidratada que o torna em mel melado e molhado
Que é te beijar...

Lábios  atados  ignoram a rainha que voa em voltas a  ecoar
Sôfregos sugados  ligeiros e roubados nuances da única arte
Que é te beijar...

Floridas  flores, edulcoradas, alaranjadas de  corpo  robusto
De mel escuro, aromático, sedativo, tange cítrico e cristalino
Que é te beijar...

Delicado  cravo,  germe  de  trigo , gosto de  seiva e  outros mais
Debaixo da árvore cheiro de Tília, cravo teu nome em ornamentos
Que é te beijar...

Sem  me importar com o  gosto,  textura , cor ou origem
Teu  beijo de mel é  pólen de  prazer, sedução e  ternura
Que não posso viver sem,
Que é te beijar...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Insensatez ( com Tom Jobim )


Perdão?
Mas nem isso quis.
Alojou-se em mim
sem piedade.
Pura insensatez!
Minha, é claro.
Deixei rolar
sem piedade.
De mim, é claro.
Contrato sem trato.
Esse amor banal,
insensato e chato.
Durou, custou demais.
Furou o couro que
era fino; fina pele.
Minha, é claro.
Desalmado coração.
O seu, é claro.
O céu, claro,
guarda todas as lagrimas,
que vou  chorar...
Pois, ainda, não te perdoei.



Grito Criativo (com Mozart)

Fecundado na alma rebelde
Que revela a fala
Que cria beleza
Que cria arte
Que unifica
Que ama
Que anima
Que chora
Que aprende
Que compartilha
Grito alto, desatado
Linhas entrecortam
Paredes ocultas

Que os musicos tocam
Que os poetas abrigam


suas genialidades

Quando exauridos
De dor
Gritam...
De paixão
Gritam
De alegria
Gritam
Da morte
Gritam
Da eternidade
Gritam ...
Suas poesias
Rabiscam
Suas notas...
(Dedicado ao grupo Grito Criativo)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Tez


Corpo chama
em chamas,
queima agonias.
Agora sombrio,
desnudo de amor,
Torso fino, frágil
afaga o dorso,
o ventre pujante
Lençóis de seda
queimados, soados,
molhados de dor.
Aguçam
meu seio,
meu beijo,
meu gosto,
meu velo.
Casca tênue,
tona rasa,
orgástica,
fruo-te.







terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Ir-se exaurido


Hoje partiu
meu maior amigo.
Choro gotas de tristeza.
Choro rios de alegria pelo que
você representa,
pelo que você foi,
aspirou,
sofreu,
lutou,
pelo  que sonhou,
pelo que não atingiu,
mas se deu o direito
de sonhar,
de ousar.
Valeu seu amor
da forma que foi,
da forma que você deu.
Valeu, valeu sim.
Caminhar sem você, inadmissível...
Porem real, mas surreal...
Porem inexplicável, sem espaço...
Seu espaço, aquele só seu!
Insubstituível, impreenchível.
Repreensível pensar na volta! Enfim permito-me
libertar sua sombra em busca de si
nesse mergulho sem volta.
Parabéns pai!
Hoje seria o seu aniversario...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Manhã de Domingo

Rolo da cama do silêncio,
da noite sôfrega, acordo.
O ar é raro, o som é leve.
O café perfuma meu quarto,
a torrada estala quentinha.
Seu beijo de boca cafezada
melada de geleia- me seduz.
Rolo na cama pasmada,
perdida nos seus beijos.
Ah, adoro os Domingos!
O cheiro da cama sedosa,
os cachorros alegres- brincam.
Você na sua generosidade
dando amor e mais amor.
Tonteio-me de carinhos.
A chuva de banho quente,
nossos corpos espumados
por aromas inexplicáveis.
Deslizam... Sorriem...
Nessa paz de Domingo.
Não quero sair, hoje.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Outono no Central Park



Image by RBarnes - Autunm in Central Park, 2010
Caminhos abertos cor de fogo urbano
Relva pintada por suas arbóreas e pessoas
Trilhas sonoras e solitárias enfeitam
Bicicletas as cortam ventaneando
Cavalos se exibem cansados
Homens e mulheres se beijam
Tiro fotos para o meu amor
Do outro lado do Atlântico
Sorrio calada e suspiro
Quase alegre
Quase triste...
Amando a paisagem alaranjada
Verde musgo e cor de vinho
Misturada ao blue jeans
Imagino você...
Nesse outono em cima da ponte
Sobre os  lagos
Entre os bosques
Repleto de cisnes enamorados e
Bancos  cheios de folhas secas
E vazios de amor...
Perdemos o outono no Central Park!

Zelando Chagall

Le Paradis 
Surrealismo contado em fabulas
Sono flutuante do gênio
Corpo sensual dos anjos
Que existem na mente
De um sonhador sensível
Por traços e cores quase mortas
Vivas na realidade do artista
Que fecunda com seu pincel
A criança, o desejo, a viagem
Dos seus pirilampos e fariseus
Flutuantes no meu quarto
Na minha alma
Durmo...quase realizada!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Acrisia do beijo

 
Gosto doce
acida boca
dos lábios pequenos
e meigos-seus
Pretenciosa as palavras
avermelhadas
que sopras-suas
Beijo degusto
com gosto ardil
Essa fruta impura
que é seu amor
Como com fome
e loucura e espero
perdão
Acredito-me insana
por te querer
Acrítica sem rumo
por te desejar
Assim permaneço
acho não ter mais razão...

Fim de tarde



O café fresco na mesa...
te espera...
O aroma expresso aquece
a tarde calma
sem brisa e quente...
Na sombra da varanda
sento e te espero...
O bule quente de alumínio
reflete meus olhos
a te procurarem
a me perguntarem
por quê demoras?
Não quero que o café esfrie-
assim esfriam-se minhas mãos
que afagaram seus cabelos
ao chegar por aqui...
O café fresco na mesa
te espera meu amor...
Assim como eu..



Para minha querida Melissa...