Cinderela sem Sapatos...


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Meu Beija-flor



Te espero inquieta na varanda
Para trazer a alegria q’ pendula no dia
Que só vem quando voas por aqui
Pequenino, cores brilhantes cintiladas
Seda que brilha no ar parado como arte
Beijando a flor, seu doce amor!
Faz meus olhos brilharem!
Pela alvorada disposta e radiante
O néctar te espera ocioso e oriundo
Solitário na virgem pétala branca
Chegue logo beija-flor!
O dia já canta saudoso de ti
Sutil ave poética do arco-íris
Que rabisca o vazio com mil cores
Fazendo meu coração vibrar pela vida
E a natureza contemplar  seu ninho...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tardes de Maio...



Um som de paz soa do mato capinado                 
Misturado ao dos pássaros já cansados
Do seu dia de passarinhadas, do vai e vem
Da garoa fininha e quase fria de Maio.

Ainda vejo seu encanto na folhagem
Molhada e silenciada pelo entardecer
Como amo as tardes verdes de Maio!
Arguciosa, espero seu beijo...


Ainda olho da varanda e procuro
A sua inesperada presença
Mas só o poente enxerga
A sua chegada bem longe daqui...
Arguciosa, sinto o seu beijo...


Distante, muito distante de mim
Me  contento `as   flores...
Restantes do meu jardim
Sem beijo ,as tenho, bem perto de mim.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Por aqui herdei


Com olhares fixos e curiosos...
Delicio-me no meu paço a buscar
Corpo solto e leve em cada passo
Firmando o traço alinhado da vida
Com medo e ousadia fingida, passo
Relutante as ofertas e crenças eivas
Sem perder o chão que piso ignoto
Lembrando- me da minha casa branca
Não desisto dos passos e da trilha funda
Pai, não esqueci tuas palavras verazes
Mãe, sei que oras por mim com devoção!
E nas apócrifas linhas do caminho, pulo
Sendo a filha de quem sou!
A coragem me amadurece a cada vila balda
E me transformo em gente sem perceber
Numa fé que estremece meu chão...
Sinto puro amor e de cabeça erguida vou
Sem esquecer quem sou!


Paths I walked

With curious stares and  hope
I delight in my palace to seek
Body loose and light in every step
Fastening the dash line of life
With feigned fear and daring, I walk
Reluctant offerings and false beliefs
Without losing the unknown ground, I walk
Reminding me of my little white house
And the rocky roads I’ll, still, face ahead…
Father, I did not forget your words of wisdom
Mother, I know you pray for me with devotion
And… the apocryphal lines in my path, I jump
Being the daughter of who I am!
Courage matures me in every path I take
And… I become solid without realizing it
A faith that shakes my floor ...
Feels like pure love and I will head up
Not to forget where I came from!



A Ruazinha

Berussa image


Cada caminho exibe uma beleza única que desenha a vida
Onde pegadas deixadas marcaram o inesperado esperado
Entre pedras e cascalhos sonhos foram escritos e desejados
Ideais construídas subitamente fizeram histórias
Amores incógnitos num sonho, ainda, imaturos
Caminharam incessáveis na busca d’suas existências
Crescendo e duvidando o saber e a inépcia...
E as luzes fracas da rua iluminaram tudo e a todos
Acasalaram as promessas pouco cumpridas
Sustentaram os corações jovens e iludidos
Porém virtuosos nas atitudes... E satisfeitos
Observaram cada passo e cada direção
Sem nunca questionarem o fim da trilha
E nas estações definidas as vidas mudaram
E os desejos se materializam em formas
Nem todas visualizadas... e os caminhos seguem
Trazendo mais promessas e mais sonhos
No esmerado momento, o grito da realidade
Ir-se dos sonhos inacabados dessa ruazinha...
Essa que chamamos de vida.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Laços de família


Mano

Do mesmo amor nascemos
Curto o tempo que tivemos juntos...
Na alma do amadurecimento
Fostes inesperadamente...
Nem menos disse adeus
Não nos conhecemos!
Apesar dos nossos laços de união
Ainda tínhamos muito por viver
Sua partida súbita nos calou
De nos tornarmos velhos amigos
Ainda me pergunto como seria...
Olhar as dobras do teu rosto
Ouvir sua voz roca e ríspida
Assistir teus triunfos aos meus
Celebrar tuas bodas e dos teus
Relembrar o passado inexistente
Consolar e ser consolada na dor
Sorrir nas datas festivas?
Calado está, e nunca saberei
Apenas a lembrança vaga...
Do pouco que ficou...
Melhor assim!  Será?
Vagueio sem sono e quase mórbida
Desejo ter partido no teu lugar!
Calado está e nunca saberei...




Web image



Brother

We came from the same love
Our time was short together
In the soul of the ripening
You left unexpectedly ...
No time to say goodbye
Yet, we never knew each other
Despite the bonds of our love
We still had much to live,brother

Your sudden departure silently
Shut all voices of life !
I still wonder how it would be…
To become old friends
To look the age lines of your face
To hear the wisdom of your voice
To watch your triumphs over mine
To comfort and be comforted in pain
We missed all the celebrations
We missed the past and the future
What is to smile in the holidays?
The answer, I will never know
Just a vague memory…
From the little that we lived
Better so! I am not sure!
Wandering without sleep and almost morbid
I wish to have departured in your place!

In silent, I will never know ...













domingo, 1 de maio de 2011

Aconchego


Image by Nelson Efe

Na luz baixa da sala descanso no peito do seu amor
Que acalma minha alma e zela meu corpo cansado
O som de o seu bater me traz aconchego e segurança
Na sala de luz baixa seduzindo-me na penumbra
Os seus lábios doces e delicados buscando os meus
Sinto-me menina, mulher e amante no seu abrigo
Seu corpo que me acolhe e me faz um ser completo
Desvanecida e imóvel sinto minha alma pulsar
Numa tentativa descontraída de ser sua e nua e pura
Entrego-me a você
Na sua pele rosada e fina meus dedos vagueiam
Nas curvas do meu corpo sua boca sacia
A sede da sua paixão que seca meu desejo em dor
Enquanto uma nuvem em explosão inunda você
Me perco num lençol de prazer de estar  entregue
Numa luta infindável e frenética, apenas te amo
E depois do amor, teu abraço perdura em silêncio
A noite se cala e dormimos na quietude do
Aconchego do nosso eterno amor..

 
Cozy



In- room low light... resting my love in your chest
That soothes my soul and my restless body
The sound of your heart brings me comfort and safety
In-room low light... luring me in the dark
Your sweet and delicate lips seeking mine
I am girl, woman and lover in your arms
Your body  welcomes me and makes me  complete
Faded,still, I feel my soul pulsar
In an attempt, relaxed naked and pure
I give myself to you
Through your thin skin my fingers wander
And the curves of my body quenches your mouth
Our bodies linger in contentment

The night is silent and sleep in the stillness of
Warmth of our eternal love ...
Dry of  passion and hurtful desires 
While a cloud burst and inundates you
I lose myself in a blanket of pleasure and seduction
In a ceaseless struggle and frantic motion- we love...



5/5/2011



Ampulheta



Passei por aqui, onde um dia, deixei meu sonho
Tão calmo parece hoje, depois de tanta insensatez
A tarde presencia esse momento com serenidade
E virtudes perdidas se formaram em pedras sem vida
Como é bom voltar com o coração intacto dos agravos
Danos aqui criados e deixados a esmorecerem no vago

Celeste o céu desse sonho esvaecido, ainda perpetua
Lindo e azul que brilha nessa tarde feliz de primavera
Ainda existem saudades dos beijos trocados, solitários!
Acabados pelo orgulho e martírio das almas que sofrem
Aqui ficou a perda, mas não a minha esperança
A areia fina, ainda, continua abalizando as horas...

Horas, dias após dias se renovaram por novos sonhos
Sonhos que tentam ser realizados em comunhão
com a vida e as limitações da realidade imposta
A harmonia inesperada acontece menos planejada
E a vida corre como um sopro do puro cristal!
E belas formas se manifestam como um milagre...

E a areia fina, incansavelmente, baliza a vida!


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Letters to Blue...


Cálice Rubi Azul ( poema 1)

Cravada como faca na carne
Que corta e faz sangrar
O sofrimento da tua beleza
Rara e selvagem rudimentar
Cravada no metal dourado
Brilha como chamas na alma
De quem nunca pode possuir-te
Mistura-se ao diamante e se faz notar
Refletindo rubro no seu azul olhar !       
Essa cor que lesa de tão bela!
Iludindo a calma de quem a deseja
Arrebentando as mãos de quem a toca
Cravada no peito do sonhador
Mentirosa, deslumbrantemente linda
Valoriza o nobre e a audácia
Esquecendo-se de ser pura
Cristal vermelho escuro ferino
Com áurea de anjo azul solitário
Insólita pedra apagada pela vida
Eu morrerei te amando e bebendo sua magia,
Blue...
           
                                                             


Chalice Blue Ruby ( poema 2 )

Like a knife carved in the flesh
That cuts and bleeds
The suffering of your beauty
Rare wild and rudimentary
Driven deep into the gold metal
Glows like flames in the soul
No one could ever possess you...
When set with diamond, sparkles the light
Reflecting like glowing stars
So beautiful you are!
Eluding the one who loves you

Liar, stunningly beautiful you are!
Rebel of values and audacity
You forgotten to be pure
Dark red crystal
Lonely angel with a golden aura
Unusual stone that faded by life's dreams
I will die loving you and drinking your magic,
Blue ...

Blackberry Winter  (poema 3)


Olhos blackberry perdidos na noite
Teus sonhos que encantam a vida
Como as violetas do meu jardim
Azuis escuros na lua de inverno
Brilham teu pecado inevitável
És linda!
Acido fascínio do seu olhar
Gela a folha da madrugada
Onde caminhas sem cessar
Seduzindo por desejos insanos
 Todas que te buscam
És linda!
Irresponsável vitima da rua fria
  É hora de voltar para casa,
                                              Meu amor !                                            
O frio não te aconchegas mais
Falta-lhe o calor do amor
Que não sabes onde encontrar
Tentei trazer-lhe o amor sereno
E como pétalas soltas ao vento
Você se foi e não pude te seguir
Nesse teu inverno sedutor, Blue !

Blackberry Winter (poema 4)

Blackberry eyes lost in the night
Your dreams enchant my life
As the violets in my garden
Dark blue eyes in the winter moon
Shine your sins inevitably...
You are beautiful!
Acid fascinating eyes...
Freezing leaf when the morning rises
Where you walk ceaselessly
Leading to insane desires
                        And others out there are seeking you...                           
You are beautiful!
Solitaire victim of  harmful streets
 It's time to go home...my love
The cold night can't cuddle you anymore
It lacks the warmth of love
The love you don't know where to find
I tried to give you what you didn't need
And like a lost petal in the wind
You vanished and I could not follow you
   It is a seductive winter...but...
 Goodbye, Blue!

 
                                                          


                                                        
                                     

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A primavera


Primavera Inesperada

Quando acordei ainda pensava no seu beijo
Que já não recebo há tanto tempo
Apenas uma memoria que passou
Passou por um sonho quase feliz
Acordei na manhã nublada do orvalho
Da primavera ainda fria
Algum floco de neve espera
Ainda na fria manhã inesperada
Como o gelo que ainda perpetua
Dentro de mim inesperado
Deixado por ti
Ainda não vejo as flores
Mais estão breves a nascer
Já sinto o cheiro da terra
Molhada e fértil como um dia foram
As sementes ocultas dentro de mim
Na ideia de um filho seu ter
Que hoje alimentam os pássaros
Que aos poucos voejam
Nessa manhã ainda adormecida
E saudosa do meu grande amor
Permaneço quieta e em paz,aqui. 


       





A Primavera Chegou

No amanhecer sem você ao meu lado
Nos lençóis vazios da sua ausência
Desperto sentindo uma leve brisa
Que sopra a minha solidão
Seu calor só existiu no meu coração
Mas me contentei  mesmo assim
E nesse dilúculo ainda escuro e frio
Te desejo como uma hipnose
Que os amantes sentem...
O dia lá fora me espera
Os pássaros migraram para me verem
Novamente forte, ou talvez feliz?
Enquanto tu acordas no ninho estranho
Renegando meu acolher de primavera
Ouço o canto da alvorada trazendo vida
Que um dia foi trazido por ti
Aos meus ouvidos de companheira
E ao meu corpo de amante fiel
Não mais te busco, mas recordo
Das doces manhãs do nosso quarto
Florido de lírios primaveris
Que um dia encantaram minha vida!


2/4/2011


Canteiros de Primavera

As sementes te esperam como eu
Para cultivarem as lindas flores como eu
A espera longa depois do inverno rude
Meu coração antecipa os lírios
Lírios brancos puros
Ou amarelos apaixonados
Nos canteiros do meu jardim
Gerânios azuis lilás como o céu
Na beira da janela sedutora como eu
Meu canteiro vazio te espera
Repleto de seiva fecunda como eu
Para semear seu carinho e gerar
Seu amor como um pássaro perdido
Cantando alvoraçado na buganvília
Pacientemente te espero como as dálias
Que brotam inibidas no meu canteiro
Que cresceram sem espinhos latentes
Porém esbeltas quanto os roseirais
Disseminados como ervas rebeldes
Que traíram meu plantio de amor...

 3/4/2011 


 Berussa image
            
Tarde de Primavera

O sol poente e seus raios dourados
Brilham no vale das margaridas
Como um grande sorriso
Da amante apaixonada
Te espero
Fim do dia com brisa suave
Que vai trazer orvalho fresco
E cheiroso para humedecer os miosótis
Que crescem devagarinho
Te espero
Contemplo o horizonte distante
Sento-me a porta sombreada de avencas
Como rendas caras que enfeitam
Te espero
Na brisa leve que sopra as folhinhas
Do meu pessegueiro de flores rosadas
Distraio-me com um pássaro semeando
E carregando as mudinhas pra longe de mim
Te espero, te espero, te espero
E me dou conta que o verão chegou!

4/4/2011

Berussa image
                                              


Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca